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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

RELATO SOBRE UM CRACHÁ POLÊMICO

Eis que anteontem, estava eu trabalhando dignamente às dez e pouco da noite atendendo um cliente lá, um moço normal, educado.
Tudo transcorria em perfeita ordem até que o moço olhou para meu crachá, e olhou pra mim, e olhou para meu crachá e olhou pra mim...Tentou se segurar, mas não aguentou:
"Moça, é você aí, nesse crachá?"
Eu olhei fixamente pra ele, pra ver se se tocava, que raios de pergunta era essa? (embora eu esteja muito diferente, qual seria o sentido de estar usando o crachá de outra pessoa? pufavô!)
Mas não pararia por aí...Ele continuou:
"Por que você fez isso no cabelo?"
Nessa hora tantas respostas surgiram em minha mente, e eu tive que lembrar dos meus pais, da minha necessidade em manter meu digno emprego e tive que lembrar de Jesus pra responder de maneira mais amena, mas com vontade:
"PORQUE EU QUIS."
E olha que essa foto é antiga, eu já mudei mais umas duas ou três vezes, hahaha!
Já estive assim...
E agora estou assim. :) Mas o crachá ainda é o mesmo.

O moço meneou a cabeça negativamente, e perguntou o que meu namorado tinha achado disso...Emiti uma porção de sons inaudíveis pra ver se ele percebia o quão desagradável tinha sido.
Ele percebeu?
Não.
Falou que eu parecia muito uma moça doida que andava lá pelo bairro, que ele olhava na foto do crachá e lembrava da moça.
E eu, agradeci o "up" que ele deu em minha auto-estima, e deixei ele seguir seu caminho.

Mas aí eu te pergunto:
O que é que um ser aleatório que nunca vi na vida tem a ver com o que fiz no cabelo???
A liberdade de expressão está deixando o pessoalzinho sem noção, já tinha ouvido falar, mas chegar ao ponto de bedelhar na vida de uma total desconhecida chega a ser revoltante.
Ninguém te obriga a elogiar ninguém, e ninguém te obriga a concordar com as escolhas alheias, mas respeitar outrem e perceber que cada um faz o que quer da vida É OBRIGATÓRIO!
O cabelo é meu, tinjo, corto, penteio e uso como quiser.
O corpo é meu, engordo, emagreço, e afins como eu quiser.
O rosto é meu, se eu quiser pintar de cor de abóbora e sair por aí me achando linda, o problema é meu.
Talvez eu observe teu estilo e não concorde. Mas a vida é tua, as escolhas são tuas e eu não conheço tua história.
Não tá bom deixar as pessoas serem felizes do que jeito que elas escolheram aparentar?
Tá né?
Vamos fazer isso?

Então tá.
Obrigada.
De nada.

Thatá

quarta-feira, 11 de março de 2015

Relato Sobre Cabelo (o meu e o seu, ok talvez só o meu)

Este não é um blog sobre cabelo.
Na verdade, este blog tem sido sobre "nada" já que faz milênios que não posto por aqui, mas acontece que por ser RELATO ALEATÓRIO eu decido sobre o que postar.
Então, se você é esperto (a) já entendeu que vou falar de...Cabelo!
Parabéns.

Eis a questão, em 2013 escrevi um post sobre toda essa história de assumir cabelos crespos/ aderir ao cabelo natural e o uso de alisantes no geral, e expus a opinião de umas amigas e a minha também. Mantenho o mesmo pensamento, já deixo bem claro.
Mas, após uma vida inteira de alisamentos constantes, chapinha e coisa e tal, eu enjoei.
Sim, enjoei.
Eu podia mentir e dizer que fiz por aceitação, ou fiz pela questão da raça, ou fiz por revolta, ou fiz porque sou militante da causa dos cabelos naturais a todo custo, provavelmente você gostaria mais de mim se assim o fizesse, mas prefiro não mentir pra conquistar.
Minha vida era gastar duas horas fazendo chapinha com muito amor (juro!) em meu micro cabelo que nunca crescia devido ao excesso de choques físicos e químicos. Eram duas horas MESMO. Pergunte a minha mãe, Dona Rosa não mente.

30 Julho de 2014.
Após dois meses sem relaxar a raiz aguardando a recuperação do meu cabelo, simplesmente acordo uma manhã, olho para os lados. 
Estou sozinha. Sento no sofá. Passo a mão nos cabelos.
Levanto. Vou até o quarto. 
Pego a tesoura.
E corto a primeira mecha, deixando um mísero dedinho de raiz crespa, e arrancando todo o pseudo-liso. E como cortei uma mecha bem na frente, não dá mais pra parar.
Continuo.
E pronto. Big chop!
E logo eu, que disse que provavelmente deixar o cabelo natural comigo nunca aconteceria. 
Pois é, a gente muda.
Fiquei olhando para o espelho tentando digerir o choque que causou em mim, e o choque que causaria nas pessoas, principalmente meus pais.
Já tinha cortado meu cabelo várias vezes por conta própria, em vários estilos diferentes, mas essa radicalidade era outro nível, passando dos limites.
E agora?
Agora, já era amiga. Deal with it.
E é engraçado perceber como o cabelo muda a gente radicalmente né? 
E é mil vezes mais divertido ainda observar a reação das pessoas!
Antes e depois (após meu big chop caseiro)
Não vou mentir e dizer que me senti linda, logo de cara. Não me senti.
Me sentia careca, estranha, testuda.
Mas ao mesmo tempo, me sentia ousada, autêntica, livre. 
Muito clichê dizer que me senti livre, mas...Me senti livre. Livre mesmo. Tipo leve, sem muitas obrigações com meu cabelo.
*(É claro que depois que você se compromete a cuidar dá trabalho, mas um trabalho menor, mais prazeroso.)
E aí então surgiram os zilhões de comentários e perguntas...Por que fiz, por que agora, por que fiz sozinha, por que raios cortei tudo, por que não esperei.
E em compensação surgiram muitas outras pessoas que admiraram a coragem, e me chamavam de "doida-no-bom-sentido", então com o tempo minhas respostas se tornaram mais naturais, e soavam menos como justificativa, e mais como palavras de uma pessoa confiante.
Sim.
Cortar o cabelo significou um MARCO em minha vida.
Sério.
Meu cabelo mudou, e eu mudei com ele.

Sinto-me mais espontânea, mais divertida, mais corajosa, mais segura.
Aí você me pergunta: "O cabelo quem fez isso?"
Eu te respondo que não. O que me tornou destemida foi o gesto em si, que me obrigou a afastar a insegurança e olhar todo mundo nos olhos enquanto me inquiriam.

Meus vários cabelos só em 2014. Como dá pra perceber, eu enjoo fácil.
Não sei por qual motivo você acha que deve aderir aos seus cabelos naturais, se for uma questão de honrar a raça, se for uma questão de parar com a agressão ao cabelo...Independente, faça porque VOCÊ QUER.
Porque boa parte das pessoas que defendem a ideia do cabelo natural querem te fazer acreditar que é uma obrigação sua, enquanto pessoa negra ou não.
Não é obrigação alguma.
Você pode escolher em qual contexto quer inserir tua história, você quer ser conhecido como uma pessoa facilmente influenciável, ou como uma pessoa original? 
Quem decide é você.
Assumir a naturalidade dos meus cabelos me mostrou coisas que eu não via, me ensinou a ver a beleza que Deus me deu (na medida do possível), me ensinou a ver que Ele cria as coisas de um jeito lindo, e você adorna ou não da maneira que achar melhor.
Hoje eu entendo que o "pseudo-liso" não valoriza tanto meus traços quanto meu cabelo bem crespo, bem enjubado!
Março 2015

Até luzes eu tive coragem de fazer! 

Independente do rumo que você der a tuas decisões, não esqueça de valorizar e conhecer aquilo que te pertence e que te faz ser você.
Aaaand, mais um monte de clichê verdadeiro pra tu, não se obrigue a nada que te faça se amar menos. deu pra entender? 
Porque o importante no final é a nossa felicidade.

Pois bem,
Eu só queria compartilhar essa história.

Beijos,
Thatá.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Relato sobre Jovens Negras, seus Cabelos Crespos e suas Opiniões!

Oi minha gente, tudo bem???
Bom...Muito bom.
Hoje acordei disposta a fazer este post que já havia planejado por alguns dias.
Primeiramente, sou jovem, negra, e tento manter minha mente aberta pra alguns assuntos, inclusive no que se refere a raça...Sei pouco, bem menos do que deveria e/ou gostaria...
Mas por fazer parte, me sinto no direito de expor meus pensamentos...Não sou militante, admiro quem o é, e defende sua causa com bases sérias e etc...É o caso de um blog que conheci um dia desses, fiquei admirada com a posição determinada das blogueiras, com a convicção com que defendem suas ideias, são mulheres negras, inteligentes e que em algum momento da vida já enfrentaram preconceito por serem quem são.
Li alguns de seus textos, e muitos deles sugerem a aceitação do cabelo crespo, sugerem assumir a "crespura" que a gente tem, honrar a raça e coisa e tal.
Eu aliso meus cabelos, por muito tempo, muito tempo mesmo, eu era pequenininha, tipo uns 8 ou 9 anos quando comecei! E nunca, jamais me passou pela cabeça que ao fazê-lo estaria negando quem sou, ou tentando me "esbranquiçar" ou "enbranquecer".
Mas vi ideias bem extremas com relação a isso pela internet, então decidi perguntar para minhas amigas, jovens, negras, lindas e inteligentes, o que ELAS pensavam deste assunto...Já que cada qual possui seu próprio estilo...E este é um assunto sério, a ser discutido.
Elaborei algumas perguntinhas básicas, e pedi que respondessem a vontade, com suas verdadeiras opiniões, são cinco questões, e seis participantes sensacionais!
(pode ser que o post tenha ficado meio extenso, mas as respostas são bem dinâmicas...! Vale a pena!)
Questões:
1. Você já enfrentou preconceito na infância, pelo fato de ser negra? Já criticaram a forma com que você usava o cabelo, ou sua textura?
2. Algumas dessas situações de infância influenciaram no modo como você trata teu cabelo atualmente? Já usou química? Alongamento?
3. Essas situações influenciaram no modo com que você enxerga a raça negra, tua raça, agora?
4. Qual a sua opinião sobre meninas/ moças/ mulheres de raça negra que costumam fazer chapinha, progressivas e afins? Você acha que ao fazê-los, traem suas raças? (Pode se empolgar pra responder essa questão número 4!)
5. Algum conselho profundo pra nossa geração, como jovens negras que somos? (vale frase inspiradora, também!)
RESPOSTAS:
Darla Djulian, 23 anos, Cantora.


"1. Simmm, sofri bastante. Chegava em casa chorando por ser negra de cabelo duro- piadinhas de colegas de escola - eu usava trança era diferente das outras crianças.
2. Bomm!! em uma época sim, fiz progressiva porque todo mundo falava que liso era melhor e tals, vários relaxamentos pra ver se o cabelo ficava liso, como todo mundo, achava que liso era sinônimo de beleza.
3. Hoje eu enxergo de outra maneira a raça negra, vejo que temos nosso estilo, diferente! Hoje não só negros, mas brancos estãoo adquirindo black power, os cachos, turbantes e assim vai...
4. Têm garotas que gostam de cabelo lisooo, lambido, kkkkk! Mas mano!! Têm outras que usam só porque acham que não vão ser aceitas pela sociedade; o que importa se vc sentir bem com seu estilo de cabelo? Pára de ficar colocando moral nesse povo que se mete com teu mega hair, (kkk) temos que ser nós mesmas! Bommmm sou chegada em "negos" e, hoje até eles gostam mais das "negas" que se assumem...Com seus cabelos duros, cacheados, com mega hair...
5. Como mulheres negras, devemos ser nós mesmas, sem sermos influenciadas! Todos nóss temos nosso jeito, estilo, modo de falar e assim vai..,O importante é nos aceitarmos do jeito que somos, seja você, mesmo que todos digam que nao gostam, olhe no espelho e veja: 'estou bem gata, maravilhosa"...E sai arrasando com seu cabelo sua cor e seu sorriso..."

Sarah, 24 anos, Publicitária


"1. Ah, tipo assim, de vez em quando, via que algumas pessoas olhavam torto pra mim na infância/adolescência, aí não sei se é porque sou negra ou porque meu cabelo era duro. Então fica no ar essa pergunta! Eu fazia relaxamento no cabelo e ainda deixava-o lotado de creme. Não saía de casa sem molhar o cabelo. Pra mim, sair de cabelo seco era como se não tivesse tomado banho. É claro que eu recebia críticas... Elogios também (elogios falsos estragam as pessoas, então acho que foi por isso que demorei mais pra mudar o visual).
2. Então, acho que a pergunta anterior responde um pouco. Pelo fato de ter o cabelo um tanto armado, comecei a fazer relaxamento. Resolveu o problema do efeito armado, mas a questão de “ficar mais bonito” não resolveu tanto. Anos depois, entrei na faculdade... O pessoal sempre dizia que meu cabelo ficaria muito legal se eu assumisse o afro! Fiquei um tanto com receio, porque achava bonito em algumas mulheres negras da TV, mas não sabia que se combinaria com meu estilo. Relutei um pouco, e uns 3 anos depois, cortei bem curto e comecei a assumir aos poucos. Foi uma mudança radical, mas recebi muitos elogios. Quando fiz luzes e inovei ainda mais, os elogios redobraram! Acho que posso dizer que me encontrei. Só fico imaginando como é ficar velha e com cabelo armado. Será que fica legal?
3. Situações como preconceito e até mesmo a influência da mídia, fazem com que as mulheres optem por usar progressivas, chapinhas e afins. Tudo isso muda muito a forma como nós mesmas nos enxergamos, acho que a visão de beleza foi deturpada por conta disso. 
4. Antigamente, ter cabelo armado era sinônimo de relaxo. Hoje em dia, é cool, é style, é motivo para dar inveja em qualquer pessoa. Então, não há porque continuar se escondendo atrás de tanto tratamento, chapinhas, progressivas etc pra ficar bonita. Dá pra assumir e ser feliz numa boa. Só se o cabelo for daqueles que parecem um bombrilzinho, aí a química está liberada HAHAHAH.
5. Negada, nós temos o poder na cor, na voz (eu não tenho, só na risada mesmo), nas atitudes, estilos... Vamos explorar isso ainda mais, vamos no arrumar ainda mais e parar de achar que as loiras são melhores que nós. Somos todas iguais, mas muitas vezes nos colocamos um pouco lá embaixo, sem querer."
Denise, 25 anos, Analista Administrativa
"1. Pra falar a verdade, de vez em quando ouvia um “neguinha do cabelo duro” aqui ou ali, mas, nunca sofri preconceito por ser negra. Pelo menos nunca falaram na minha cara, mas algumas vezes algumas brincadeiras veladas davam a entender o racismo.
2. Ah, claro que sim! Mas nada que fizesse eu me sentir inferior... nunca! Eu sempre quis ter um cabelo que pudesse usar um rabo de cavalo e ele ficasse se mexendo, ou poder usar solto todo molhado e enroladinho... tudo isso influencia, claro! Uma vez minha tia chegou em casa com o cabelo (que era tuím de verdade!) alisado! Ficou lindo! Aí percebi que tinha jeito pro meu dilema! Hahaha! Foi aí que minha mãe começou a usar “Tóin” (creme de permanente afro) no meu cabelo e das minhas irmãs; mas por medo de sermos alérgicas, ela acabava passando bem pouco. O suficiente para deixar penteável (segundo ela). Mas não dava nem pra deixar solto, porque ficava uma vassoura! Uma vassoura penteável!
3. Não... muito pelo contrário! Isso me faz ter um orgulho danado da raça que eu sou! Até porque, na minha opinião, somos a única raça que dá pra alisar, enrolar, espichar, escovar o cabelo e se quiser, é só cortar tudo que ele nasce todo crespo de novo, não é uma maravilha? Hahahah! Acho muito legal ver diversas mulheres negras e cada uma com seu estilo e modos de usar o cabelo que se tornam únicos e mesmo que outras pessoas usem, acabam ficando diferentes. A mescla de opções é muito grande.
4. O quê? LÓGICO QUE NÃO! Tá me zoando? Se fosse assim, eu tava frita, porque faço tudo isso aí... chapinha, escova, aliso, relaxo e o escambau! Como assim? Quer dizer que se você alisa o cabelo você tá traindo a raça? Quem disse isso? Só eu sei o quanto custa deixar o cabelo arrumado, não importa a forma. Até porque o cabelo crespo requer cuidados! E não é porque eu aliso, que traio minha raça! Minha cor de pele expressa isso muito bem! E não é porque sou negra que tenho que ficar por aí andando com o cabelo crespo sendo que tenho a opção de “facilitar o pentear”! Acho lindo quem deixa o cabelo crespo, ao natural... e cuida!
5. Uma frase inspiradora? Ah... seja você mesma! Não se inspire em modinhas... arrume o seu cabelo da forma que você se sinta confortável. Sei que contradisse o que disse na pergunta anterior mas, é a minha opinião.
Mas esse conselho é o que vai valer pra você! Tenha sua personalidade e use o seu cabelo da forma que achar melhor! Esse fator de alisar é trair a raça não está com nada! Isso sim é que é racismo! A vantagem do cabelo crespo é essa: não gostou do alisamento/relaxamento/aplique? É só deixar crespo de novo! E cuidar, obviamente!"
Cinthya, 24 anos, Jornalista


"1. Se já? Orraaaa!!! No jardim de infância quando tinha festa junina as crianças escolhiam seus pares e sempre sobravam eu e mais duas crianças na sala, e advinha, os únicos negrinhos da sala. Os meninos me chamavam de pompom ou de bombril, e isto foi até uma parte de minha adolescência. Uma vez bagunçaram meu cabelo na sala de aula na frente de todos e comecei a chorar. As meninas viviam perguntando porque eu não soltava o cabelo e se achavam melhores do que eu só pelo fato de terem cabelo liso. Como eu era bocó naquela época não falava nada. Mas hoje eu diria: Sou negra e meu cabelo é bombril sim, e daí? Algum preconceito? Vou te denunciar por racismo!!! Rs...
2. Sim! Sempre influenciou! Por mais que hoje em dia as coisas mudaram, não consigo usar meu cabelo natural por muito tempo. Acostumei com ele escovado! Embora não me importe mais, antes eu tentava esconder que ele era crespo (Como se isto fosse possível), mas hoje em dia uso escovado porque gosto mesmo. 
3. Não! Confesso que quando era criança, achava que as meninas branquinhas eram melhores e não gostava muito de pretinhos. Mas eu amo a minha cor, acho lindo homens negros e por aí vai! kkk
4. Normal! Eu sou meio do contra neste quesito, tem uma negada aí que acho que gosta de se aparecer e usa black power só para pagar de estilosa, não todas, mas tem muita nega besta que fica postando “Em terra de chapinha, quem tem cachos é rainha”, eu acho que cada um usa o cabelo do jeito que quiser... rsrsrs... Falou a revoltada agora!
5. Seja sempre você e nunca tenha vergonha de quem é... As pessoas que são racistas são ignorantes e a vida é uma roda gigante, todas aquelas meninas e meninos que me zoavam na época de escola hoje estão todos feios e gordos... hahaha... Zoeira! Assim como todas as outras raças, merecemos respeito. Devemos assumir quem somos e impor respeito, independente de tudo! Ame-se, Cuide-se, cada um tem uma beleza diferente, independente da cor ou se o cabelo é crespo ou liso."
Pâmela, 19 anos,  Não estou a fim de identificar
"1. Sim já ... Olharam com cara feia .. Perguntaram pra minha mãe "porque o cabelo dela não é normal igual o meu?". Mas a vez que mais me marcou foi na 2º série do fundamental, eu estava com o cabelo cheio de trancinhas, aí um moleque me chamou de Medusa! Falou que eu era igualzinha... até a cor dela meio suja... Me atormentou ..Fomos parar na diretoria e ele levou advertência porque estava fazendo piada comigo. 
2. Já criticaram falando: "ah faz progressiva... Permanente...Relaxamento...". Se eu usava chapinha, falavam que era melhor não porque acaba com o cabelo... se eu usava cachos, falavam que não porque gasta muito e cachos são muito trabalhosos, se eu uso alongamento falam que é estranho porque é um cabelo preso no seu, e perguntam se eu lavo (claro que lavo é normal como qualquer cabelo) sabe? (e dizendo indiscretamente que não aprovavam.) Na infância não entendia porque várias meninas tinham o cabelo liso que nem conseguiam usar presilhas e o meu ficava praticamente preso sozinho (hsauhuas) e elas queriam ter um igual ao meu...Eu só falava “não reclama de ter cabelo liso, você pelo menos não sofre pra pentear e não fica com os olhos puxados por causa das tranças!“ Isso influenciou no modo de tratar meu cabelo me preocupava mais... Usei química várias vezes, relaxamentos...progressiva, mas não curtia... me ENCONTREI no aplique, alongamentos ...Cara, a melhor coisa que me aconteceu!
3. Sim...Mostram que, independentemente do que você faça no seu cabelo uma coisa é clara, se seu cabelo é de negra...difícil de lidar (kkk) filha, ele sempre será assim na Raiz (uhuahsuhasha). E sem dúvida chamamos atenção por usarmos cabelos diferentes ... Hoje vejo a raca negra como um referencial e até entendi o que várias gurias me falavam na escola “aiii queria ter o cabelo igual ao seu”, ter um cabelo de negra é difícil mas, cara nós podemos variar pra caramba!
4. Bom não acho isso uma traição...Minha mãe me falava isso, que eu tinha que ousar porque sou negra e tinha que assumir minha cor, mas eu particularmente discordo! Penso que ser negra está no sangue, e cara seu cabelo é um acessório pra mostrar sua negritude... E cada mulher sabe qual com qual cabelo se sente melhor...!
5. Seja você mesma... De chapinha. De cachos ..Careca... Com black power seja o que for, mas mostre sua essência. Até porque, antes do nosso cabelo vem a nossa cor...Vamos honrar a nossa raça linda...Cobiçada... E única!"
Deise, 25 anos, Assistente de RH
"1. Sim. Musiquinhas como “nega do cabelo duro...”, hunf! Eu me sentia feia (não que eu seja bonita agora, mas... enfim!)  Se já criticaram a forma que e usava, não tenho conhecimento ou não me lembro.
2. Creio que sim. Sem contar o terror de usar o TEMIDO Yamasterol... tenho calafrios só de pensar. Já alisei e relaxei, somente.
3. Não. Eu tenho orgulho de ser negra! Eu considero as pessoas negras como fonte de inspiração para muitas coisas no mundo... música, moda, estética... Somos adaptáveis à qualquer situação, em qualquer ambiente... moldamos à nossas necessidades. Resumindo: SOMOS DEMAIS!!! (a convencida... kk)
4. Eu sou uma das moças que usam chapinha, progressiva e afins.. então só posso falar por mim: eu utilizo porque não consigo cuidar do meu cabelo crespo (e não tenho paciência, também! HAJA YAMASTEROL... BRR). Eu me sinto mais bonita. Não penso que estou ‘traindo a raça’...Eu admiro as meninas que decidiram utilizar o cabelo crespo, não acho nada ‘original’... acho lindo, mas não tenho coragem de utilizar o meu assim. É uma questão de escolha.
5. Ai gente, nós somos demais! Somos LINDAS e fazemos parte da única raça que pode diversificar a ‘juba’ e ainda assim permanecermos originais. Como disse anteriormente, somos adaptáveis! Use o cabelo da forma que você quiser (HIDRATADO PELOAMORDEDEUS!!!), use a maquiagem que você quiser (você vai arrasar do mesmo jeito, pinta a boca de azul e ainda assim... DIVA!!!).Enfim... sejam originais! Do seu jeito... continue linda e DIVA!!!"

Ufa!
E eu? Eu já fui chamada de macacona, já riram das minhas trancinhas, e já ficaram sem-graça em minha presença porque fizeram uma "piadinha de negro" e eu estava lá, olhando pra eles com olhar assassino!
Eu aliso meu cabelo sim! E não aliso pela praticidade, não aliso porque a mídia me disse que deveria ser assim, hoje em dia, aliso porque quero...E acho desnecessário procurar justificativas pra uma decisão tão pessoal...
Teu cabelo na verdade, só ESTÁ ali, pode ser que um dia ele caia, ou você decida usar perucas...Mas tua raça NÃO VAI EMBORA! Não importam quantas químicas você utilizar, teu cabelo será crespo, e pronto, talvez um pouquinho "maquiado", mas crespo!
E vão me desculpar, mas não é porque esta história de "assumir" está meio na moda, que significa que quem "assumiu" valoriza de fato sua raça...Sua labuta e suas conquistas!
Como as meninas disseram acima, se aceitar como realmente é, e gostar do jeito com que você se vê no espelho são fundamentais...Ninguém precisa se deprimir porque não pode mais fazer isso ou aquilo.
O que te torna NEGRA, é a coragem de enfrentar um mundo racista todo santo dia, e no fundo, no fundo, se nós não impormos respeito com nossas atitudes, não há "pose de negão" que nos salve, amores. Sério mesmo!
Pois então, o objetivo deste post era exatamente este, apresentar as opiniões de quem sente na pele a responsabilidade de ser da raça negra, não importa quantos anos você tem, não importa se você já passou por mais experiências ou menos experiências...! Valorizar suas raízes é importante...Eu deveria valorizar mais...
Mas a "história do cabelo" paira num contexto muito mais profundo...
E se ninguém nunca compartilhou experiências com você, aproveite essas, e pese tudo! Crie tuas próprias opiniões...Porque se você não procurar saber, e se levar pelas ondas...
Amanhã não fará sentido...
Quer assumir teus cabelos! ASSUMA MESMO! Mas certifique-se de conferir teus motivos...Faça porque você tem consciência que este será um ato importante, não apenas para aparentar algo aqui, ou ali...Mas porque realmente possui significado!
E pra quem não é negro(a)...Vale a pena pensar com carinho, no efeito que alguns comentários infelizes causam nas pessoas!

Beijos, 
Thatá! ♥
(obrigada meninas!!!)